terça-feira, 26 de abril de 2011

Efolio A

1. Charles Darwin era um naturalista britânico que nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1809, em Shereswsbury. Aos dezasseis anos, foi estudar medicina na Universidade de Edinburgh. Posteriormente frequentou a Universidade de Cambridge a fim de se tornar clérigo da Igreja da Inglaterra, contudo e por não gostar da vida religiosa, tornou-se membro de uma expedição científica no navio Beagle. Durante 5 anos, colaborou com pesquisas nas ilhas da América do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Durante esta viagem, observou fenómenos da natureza que lhe despertaram a curiosidade e que se tornaram pilhares no desenvolvimento da sua teoria. Tentou descobrir a razão da grande diversidade biológica, coleccionando rochas, plantas e animais. Entretanto, Darwin casou-se com Emma Wedwood e mudou-se para Down, uma aldeia do Sudoeste da Inglaterra. Darwin juntou-se à corrente evolucionista defendida por Lamark, onde as espécies tinham evoluído a partir de outras espécies ancestrais. Defendia que se um órgão fosse muito utilizado, este tornava-se mais forte, mais vigoroso e de maior tamanho, caso contrário, o órgão atrofiava e acabaria por desaparecer, por exemplo o tamanho do pescoço das girafas. Em 1859 escreveu o livro “A Origem das Espécies”, onde defendia a teoria da evolução biológica, mediante uma selecção natural que favorece nos indivíduos, variações úteis na luta pela existência, e a teoria de que esta evolução ocorria por selecção natural, onde as espécies resultam umas das outras por evolução e apenas sobrevivem as espécies melhor adaptadas. Posteriormente escreveu “A Descendência do Homem”, onde manifestou as suas ideias acerca do surgimento dos seres humanos na Terra e aprofundou a teoria acerca da descendência do homem e do macaco, de um antepassado comum. Entretanto Darwin publicou mais obras, foi pioneiro em diversos temas e controvérsias das ciências e as suas ideias foram revolucionárias. Charles Darwin faleceu no dia 01 de Abril de 1882 e foi sepultado na Abadia de Westminster.
Relativamente à Psicologia do Desenvolvimento e em jeito de conclusão, Darwin apresenta duas das principais ideias sobre a evolução. Para este naturalista a espécie é um conjunto de animais semelhantes que partilham as características morfológicas e fisiológicas hereditárias e que são capazes de se reproduzir entre si, bem como defende que a evolução é a sucessão de modificações que ocorrem nos seres vivos ao longo de gerações, por acção da selecção natural. Relativamente às teorias que mudaram a perspectiva sobre o ser humano, Darwin, defende que a continuidade entre todos os seres vivos ao longo de gerações é por selecção natural, nomeadamente: a Continuidade, pois o Homem passou a ser olhado como um ser “parente” de todos os outros, sendo que evoluiu tal como os outros de estruturas primordiais biológicas; a Adaptação, uma vez que há uma luta pela existência e a variabilidade dos indivíduos dentro da mesma espécie, pois a selecção natural permite a sobrevivência dos que se adaptam, com mais facilidade ao meio que os rodeia. A selecção natural valoriza a mudança adaptativa, sendo que a evolução resulta de uma luta entre o conservador e o revolucionário, entre a identidade da reprodução e a novidade da variação; a Filogénese é um conjunto de processos biológicos de transformação que explicam o aparecimento das espécies e a sua diferenciação; a Ontogénese é o conjunto de processos de desenvolvimento de um indivíduo que resulta de uma combinação de maturação e da epigénese; e a Epigénese é um conjunto de processos interactivos do indivíduo com o meio, uma vez que o potencial biológico existente transforma-se em potencial adaptativo.  

Bibliografia: Tavares et. al. (2007), Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Colecção Nova CIDInE. Porto Editora.

2. Tema da Sessão: A superprotecção das crianças
Destinatários: Pais, Encarregados de Educação e Educadores de Infância
Duração em tempo: 90 minutos
Objectivos: Reflectir acerca da superprotecção das crianças, bem como ensinar o público-alvo, a educar as crianças da maneira mais adequada, para um crescimento saudável, eficaz e feliz.
Recursos: Computador com ligação à internet; Projecção de imagens e vídeos relacionados com o tema e panfletos informativos.

O cuidado excessivo. O que significa “Superproteger”?
Superproteger uma criança é querer “tornar-lhe a vida mais fácil”, contudo protecção a mais pode fazer com que a criança revele um comportamento dependente e introvertido. A criança pode exigir em cada momento, a satisfação dos seus pedidos, pode renunciar as suas próprias responsabilidades, pode sentir uma excessiva necessidade de ajuda contínua e de aprovação para agir, bem como pode não fazer qualquer tipo de esforço. Em muitos casos, os adultos fomentam condutas mais infantis, do que as correspondentes à idade, sendo que, muitas vezes as crianças não são autónomas porque, os pais fazem as coisas por elas, pois acham que fazendo as coisas, estas “ficam mais bem-feitas” (desconfiança) e “levam menos tempo” (impaciência). No entanto, futuramente a criança pode ter uma personalidade débil e insegura e medo de crescer. As crianças são capazes de fazer muito mais coisas do que os pais podem pensar. E serão muito mais capazes se lhes dermos oportunidades suficientes de as fazerem.

Porque é que continuamos a superproteger as crianças?
Actualmente, devido ao ritmo inquieto, à ansiedade e às pressas do dia-a-dia, os pais tentam compensar qualquer desejo ou necessidade dos seus filhos com algum excesso, evitando-lhes qualquer dificuldade ou contratempo. O resultado é uma percepção errada da criança que se pensa incapaz de resolver os problemas por si mesma. Proteger em excesso, pode prejudicar mais do que beneficiar. Devemos ter em conta que as crianças não vivem isoladas, na escola ou em casa estão perante situações de risco, estão expostas a perigos que devem enfrentar e que lhes servirão de trampolim, para continuar a evoluir no seu desenvolvimento pessoal. As crianças, donas dos seus sentimentos e pensamentos, devem desenvolver recursos e estratégias para enfrentar metas complexas. A tolerância à frustração e a participação nas tristezas e nos prazeres dos que as rodeiam, farão com que comecem a descobrir o papel que desempenham no seu meio social.

Consequências de uma superprotecção:
- Chamadas de atenção constantes; - Fraca maturidade emocional, debilidade e comportamento excessivamente infantil para a idade; - Dependência, falta de autonomia e de iniciativa; - Medo, timidez, submissão social, inibição; - Deficiente domínio do próprio corpo e escassa capacidade de raciocínio; - Fraco desenvolvimento das habilidades básicas, como: vestir-se e comer; - Auto-estima baixa, insegurança, incapacidade para resolver dificuldades e enfrentar problemas;
- Falta de realismo e nulo esforço por atingir metas; - Pouca capacidade para assumir responsabilidades e consequências dos seus actos.

Como agir?
Muitos pais pretendem evitar que os seus filhos passem por experiências negativas que eles próprios viveram, tentam nivelar o caminho, eliminar perigos, fazer com que não passem por angústias nem qualquer tipo de medo. Definitivamente os que estes pais estão a fazer é superproteger e isto não implica estar a fazer um favor aos seus filhos, pois apesar dos intensos laços emocionais que existem, devemos dar uma boa educação e evitar essa superprotecção que, no fundo, os debilita. O facto de chorarem ou de se irritarem pressupõe uma descarga de carácter emocional que é necessária para os seres humanos e cabe aos pais evitar que estas birras, sejam utilizadas para mimar a resistência e conseguir aquilo que desejam. Quando pensamos que “mais tarde terá tempo de sofrer” e que “já existem bastantes problemas para não lhe satisfazer este capricho”, não estamos a facilitar uma estrutura ordenada no desenvolvimento emocional da criança, evidentemente que, quando são muito pequenos, a sua dependência dos pais é absoluta, sobretudo da mãe, mas, conforme vão crescendo, é conveniente “ir soltando amarras”, apesar de tal causar aos pais uma sensação de inquietação, ansiedade ou mesmo um certo vazio.
Deixá-los ir sozinhos para a escola quando tiverem idade para isso, permitir-lhes sair um pouco com os amigos ou deixar que fiquem a dormir em casa de um colega de escola são situações que, mais tarde ou mais cedo, teremos que assumir, o que não implica desinteressar-se ou não estar atento às atitudes e comportamentos da criança. Há que aceitar que, os filhos crescem e que, devem assumir situações e resolver problemas que se lhes são apresentados no futuro. Portanto, o que podemos fazer é ajudar as crianças a tomar consciência dos benefícios, bem como incentivá-las a fazerem as coisas por si mesmas.

Bibliografia: Tavares et. al. (2007), Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Colecção Nova CIDInE. Porto Editora.